Dr. Erli Borges Junior

O que são Fraturas?

Fraturas são quebras ou fissuras nos ossos, ocorrendo quando a força aplicada ao osso é maior do que ele pode suportar. 

Em crianças, as fraturas são relativamente comuns devido à natureza ativa e ao crescimento dos ossos. 

Os ossos das crianças são mais flexíveis do que os dos adultos, mas ainda podem se quebrar quando submetidos a traumas significativos.

Anatomia Básica dos Ossos

  • Composição dos Ossos: Os ossos são formados por tecido ósseo denso e resistente. Eles têm uma camada externa dura (córtex) e uma camada interna mais esponjosa (medula óssea).
  • Crescimento dos Ossos: Nas crianças, os ossos contêm placas de crescimento (fises), que são áreas de cartilagem onde ocorre o crescimento ósseo. Essas áreas são mais suscetíveis a fraturas.

fratura infantil

Tipos de Fraturas

Existem vários tipos de fraturas que podem ocorrer em crianças, dependendo da forma como o osso se quebra:

  • Fratura Completa: O osso se quebra em duas ou mais partes.
  • Fratura Incompleta: O osso não se quebra completamente; pode apresentar uma fissura ou rachadura.
  • Fratura em Galho Verde: O osso se dobra e quebra parcialmente, comum em crianças devido à flexibilidade dos ossos.
  • Fratura de Impacto: Os pedaços do osso quebrado são pressionados um contra o outro.
  • Fratura Espiral: O osso se quebra em um padrão de espiral, geralmente devido a uma torção.

Causas Comuns de Fraturas em Crianças

Fraturas em crianças podem ser causadas por uma variedade de fatores, incluindo:

  • Quedas: Quedas de bicicletas, playgrounds, ou ao correr e brincar.
  • Esportes: Lesões esportivas, especialmente em esportes de contato ou atividades de alto impacto.
  • Acidentes de Trânsito: Acidentes de carro ou bicicleta.
  • Abuso: Infelizmente, fraturas também podem ser resultado de abuso físico.

Importância do Diagnóstico e Tratamento

Diagnosticar e tratar fraturas rapidamente é crucial para garantir que os ossos das crianças se curem corretamente. Se não tratadas adequadamente, as fraturas podem afetar o crescimento e desenvolvimento dos ossos, causando problemas a longo prazo.

As fraturas são uma parte comum e muitas vezes inevitável da infância ativa. Compreender o que são fraturas, os diferentes tipos e as causas comuns pode ajudar os pais e cuidadores a reconhecer os sinais e buscar o tratamento adequado rapidamente. 

O cuidado imediato e correto é essencial para garantir uma recuperação completa e prevenir complicações futuras.

Dr. Erli Borges Junior, Ortopedista e Traumatologista:

Sou formado pela faculdade de Medicina de Itajubá em 2010

Especialização em Ortopedia e traumatologia pelo Hospital das Clínicas

Samuel Libânio em 2014

Com especialização e Ortopedia Pediátrica pela Santa Casa de São Paulo em 2018

Especialização em toxina botulínica para o tratamento de doenças neuromusculares pela USP São Paulo em 2023

Membro do corpo clínico de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas Samuel Libânio, Pouso Alegre- MG

Ampla experiência nos casos de urgência e emergência em Ortopedia e Traumatologia

“Desde de criança, sempre sonhei em ser médico. 

Sempre sonhei em, de alguma maneira,  fazer a diferença na vida das pessoas e conseguir ajudar ao próximo.

E após tantos anos, vejo aquele sonho realizado.

Neste momento da minha vida, nunca fez tanto sentido aquela velha máxima: Trabalhe com o que você ama e nunca mais precisará trabalhar na vida.”

Causas Comuns de Fraturas em Crianças

As fraturas em crianças são uma ocorrência relativamente comum devido à combinação de sua alta atividade física e o estágio de desenvolvimento dos ossos, que são mais flexíveis mas também mais vulneráveis a quebras. 

Compreender as causas comuns das fraturas pode ajudar os pais e cuidadores a tomar medidas preventivas e a reagir de forma adequada quando uma fratura ocorre.

1. Quedas

  • Acidentes Domésticos: As crianças pequenas frequentemente sofrem quedas enquanto aprendem a andar ou brincar em casa. Quedas de móveis, escadas ou pisos escorregadios são causas comuns de fraturas.
  • Playgrounds: Brincar em parques e playgrounds pode resultar em quedas de balanços, escorregadores e outros equipamentos. A falta de supervisão adequada aumenta o risco de acidentes.

2. Atividades Esportivas

  • Esportes de Contato: Esportes como futebol, basquete e artes marciais, que envolvem contato físico, são frequentes causadores de fraturas. As colisões entre jogadores podem resultar em quebras ósseas.
  • Esportes de Alto Impacto: Atividades como ginástica, skate, patins e ciclismo apresentam alto risco de quedas e impactos, que podem levar a fraturas.
  • Lesões por Estresse: Atividades repetitivas em esportes como corrida e dança podem causar fraturas por estresse, onde pequenas fissuras se desenvolvem no osso devido ao uso excessivo.

fratura em criança

3. Acidentes de Trânsito

  • Bicicletas e Patinetes: Acidentes envolvendo bicicletas e patinetes são comuns entre crianças. Colisões com veículos, quedas em alta velocidade ou manobras arriscadas podem resultar em fraturas.
  • Acidentes de Carro: Crianças como passageiros em acidentes de carro podem sofrer fraturas, especialmente se não estiverem devidamente presas em assentos de segurança.

4. Brincadeiras e Aventuras

  • Brincadeiras ao Ar Livre: Subir em árvores, pular de alturas e outras brincadeiras ao ar livre podem resultar em quedas e fraturas.
  • Brincadeiras de Risco: Atividades como parkour, que envolvem saltos e manobras arriscadas, podem aumentar significativamente o risco de fraturas.

5. Doenças e Condições Médicas

  • Osteoporose Infantil: Algumas crianças podem ter condições médicas que afetam a densidade óssea, como a osteoporose infantil, tornando os ossos mais suscetíveis a fraturas.
  • Doenças Metabólicas: Condições como a osteogênese imperfeita (doença dos ossos de vidro) causam fragilidade óssea e aumentam o risco de fraturas mesmo com traumas leves.

6. Abuso Infantil

  • Trauma Não Acidental: Infelizmente, algumas fraturas podem ser causadas por abuso físico. Fraturas inexplicáveis ou em padrões que não correspondem à história do acidente devem levantar suspeitas e ser investigadas.

7. Ambientes Inseguros

  • Infraestrutura: Ambientes com infraestrutura inadequada, como escolas, creches ou parques com equipamentos quebrados ou superfícies duras, podem aumentar o risco de acidentes e fraturas.
  • Supervisão Insuficiente: A falta de supervisão adequada durante atividades físicas ou brincadeiras pode levar a acidentes que resultam em fraturas.

As fraturas em crianças são frequentemente causadas por quedas, atividades esportivas, acidentes de trânsito, brincadeiras arriscadas, condições médicas e, infelizmente, abuso infantil. 

Compreender essas causas pode ajudar os pais e cuidadores a tomar medidas preventivas, garantir ambientes seguros e supervisionar adequadamente as crianças durante suas atividades diárias. 

Em caso de fratura, buscar atendimento médico imediato é essencial para garantir uma recuperação adequada e prevenir complicações futuras.

Tipos de Fraturas em Crianças

As fraturas em crianças podem variar amplamente em termos de gravidade e características. Devido à natureza em crescimento dos ossos infantis, alguns tipos de fraturas são mais comuns em crianças do que em adultos. 

Conhecer os diferentes tipos de fraturas pode ajudar pais e cuidadores a reconhecer os sinais e buscar o tratamento adequado. 

Principais tipos de fraturas que podem ocorrer em crianças:

1. Fratura Completa

  • O osso se quebra em duas ou mais partes. Este tipo de fratura pode ser grave, dependendo da extensão e localização da quebra.
  • Causas Comuns: Quedas graves, acidentes de trânsito e impactos fortes durante atividades esportivas.

2. Fratura Incompleta

  • O osso não se quebra completamente. Em vez disso, ele apresenta uma fissura ou rachadura. Este tipo de fratura é mais comum em crianças devido à flexibilidade dos seus ossos.
  • Causas Comuns: Quedas leves e impactos menores.

3. Fratura em Galho Verde

  • O osso se dobra e quebra parcialmente, como um galho verde que se dobra e racha sem quebrar completamente. É uma fratura comum em crianças devido à flexibilidade dos ossos jovens.
  • Causas Comuns: Quedas durante brincadeiras e atividades físicas moderadas.

4. Fratura em Torus (ou Fratura em Caule de Rosa)

  • Este tipo de fratura ocorre quando o osso é comprimido, resultando em uma área protuberante ou enrugada. O osso não se quebra completamente, mas fica deformado.
  • Causas Comuns: Quedas ou impactos que comprimem o osso, como cair sobre a mão estendida.

5. Fratura de Impacto

  • Os pedaços do osso quebrado são pressionados um contra o outro. Esta fratura pode ocorrer em acidentes onde há uma força de compressão direta.
  • Causas Comuns: Quedas de grandes alturas ou acidentes de trânsito.

6. Fratura Espiral

  • O osso se quebra em um padrão de espiral, geralmente devido a uma torção. Este tipo de fratura pode ser particularmente doloroso e complicado de tratar.
  • Causas Comuns: Movimentos de torção bruscos, como torcer uma perna durante uma queda.

7. Fratura de Salter-Harris

  • Este tipo de fratura envolve a placa de crescimento (fise), que é a área de tecido cartilaginoso perto das extremidades dos ossos longos em crianças. As fraturas de Salter-Harris são classificadas em cinco tipos, dependendo da localização e do padrão da fratura.
  • Causas Comuns: Quedas e traumas diretos nas áreas de crescimento ósseo.

8. Fratura Cominutiva

  • O osso se quebra em vários fragmentos. Este tipo de fratura é menos comum em crianças, mas pode ocorrer em traumas de alta energia.
  • Causas Comuns: Acidentes de carro e quedas de grandes alturas.

9. Fratura de Avulsão

  • Um pequeno fragmento de osso é arrancado pelo tendão ou ligamento que está preso a ele. Este tipo de fratura é comum em crianças ativas em esportes.
  • Causas Comuns: Movimentos bruscos e repentinos que puxam o tendão ou ligamento fortemente.

Diagnóstico e Tratamento

  • Diagnóstico: As fraturas são diagnosticadas por meio de exames físicos e radiografias. Em alguns casos, exames adicionais, como tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM), podem ser necessários.
  • Tratamento: O tratamento varia dependendo do tipo e da gravidade da fratura. Pode incluir imobilização com gesso, talas, ou, em casos mais graves, cirurgia para realinhar e estabilizar os ossos.

Sintomas de Fraturas em Crianças

Identificar uma fratura em crianças pode ser desafiador, especialmente porque os sintomas podem variar dependendo da gravidade e do tipo de fratura. 

No entanto, conhecer os sinais e sintomas comuns pode ajudar pais e cuidadores a reconhecer uma fratura e buscar atendimento médico imediatamente.

1. Dor Intensa e Localizada

  • A dor é um dos sintomas mais imediatos e evidentes de uma fratura. A criança pode sentir uma dor intensa e aguda na área afetada, que geralmente piora com o movimento ou quando é tocada.
  • A dor pode variar de leve a severa, dependendo da extensão da fratura.

2. Inchaço e Hematomas

  • A área ao redor da fratura pode inchar rapidamente após a lesão. Hematomas (equimoses) também podem aparecer, indicando sangramento interno na área fraturada.
  • O inchaço pode dificultar o movimento da parte do corpo afetada e causar desconforto adicional.

3. Deformidade Visível

  • Em casos de fraturas graves, pode haver uma deformidade visível, onde a parte afetada do corpo parece torcida ou fora do lugar. Isso é mais comum em fraturas completas ou deslocadas.
  • Uma deformidade óbvia é um sinal claro de fratura e requer atenção médica imediata.

4. Dificuldade em Mover a Parte Afetada

  • A criança pode ter dificuldade ou ser incapaz de mover a parte do corpo onde ocorreu a fratura. Isso pode incluir dificuldade em usar o braço, andar, ou carregar peso na perna afetada.
  • A limitação de movimento é frequentemente acompanhada por dor intensa.

5. Sensibilidade ao Toque

  • A área ao redor da fratura pode ser extremamente sensível ao toque. Mesmo uma leve pressão pode causar dor significativa.
  • A sensibilidade pode ser um indicador importante de que houve uma lesão óssea.

6. Sons de Estalo ou Quebra no Momento da Lesão

  • Algumas crianças podem relatar, ouvir ou sentir um estalo ou quebra no momento em que a lesão ocorreu. Este som pode ser um indicador de que o osso se quebrou.
  • Este sintoma nem sempre está presente, mas pode ser um sinal revelador de fratura.

7. Mudança de Cor da Pele

  • A pele ao redor da área afetada pode mudar de cor, tornando-se vermelha, azulada ou roxa devido ao sangramento interno e à inflamação.
  • A mudança de cor geralmente acompanha o inchaço e os hematomas.

8. Incapacidade de Suportar Peso

  • Se a fratura ocorrer na perna ou no pé, a criança pode ser incapaz de suportar peso na perna afetada. Tentar caminhar pode resultar em dor intensa e instabilidade.
  • A incapacidade de suportar peso é um sinal claro de que a lesão precisa de avaliação médica.

9. Fadiga ou Letargia

  • Em alguns casos, especialmente em fraturas que envolvem grandes ossos ou múltiplos ossos, a criança pode sentir fadiga ou letargia devido ao choque e à perda de sangue interna.
  • Este sintoma é menos comum, mas pode ocorrer em lesões graves.

Quando Procurar Ajuda Médica

Se suspeitar de uma fratura, é crucial procurar atendimento médico imediato. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para garantir que o osso se cure corretamente e para evitar complicações a longo prazo.

  • Primeiros Socorros: Antes de chegar ao médico, imobilize a área afetada e evite mover a criança desnecessariamente. Aplicar gelo pode ajudar a reduzir o inchaço.
  • Atendimento Emergencial: Em casos de deformidade visível, incapacidade de mover a parte do corpo, ou dor intensa, vá diretamente a um pronto-socorro.

fratura infantil

Os sintomas de fraturas em crianças incluem dor intensa e localizada, inchaço, hematomas, deformidade visível, dificuldade de movimento, sensibilidade ao toque, sons de estalo, mudança de cor da pele, incapacidade de suportar peso, e, em alguns casos, fadiga ou letargia. 

Reconhecer esses sintomas e buscar atendimento médico imediato é essencial para garantir uma recuperação rápida e completa, evitando complicações futuras.

Como Diagnosticar uma Fratura em Crianças

Diagnosticar uma fratura em crianças envolve uma combinação de observação dos sintomas, exame físico e exames de imagem. Uma avaliação correta é crucial para determinar a extensão da lesão e planejar o tratamento adequado.

1. Observação dos Sintomas

  • Dor e Sensibilidade: Verifique se a criança está sentindo dor intensa e se a área afetada é sensível ao toque.
  • Inchaço e Hematomas: Observe se há inchaço e hematomas na área lesionada.
  • Deformidade: Procure por qualquer deformidade visível ou partes do corpo que pareçam fora do lugar.
  • Dificuldade de movimento: Note se a criança tem dificuldade ou é incapaz de mover a parte afetada do corpo.
  • Mudança de Comportamento: A criança pode mostrar sinais de desconforto, chorar ou recusar-se a usar a parte afetada.

2. Exame Físico

  • Inspeção Visual: O médico fará uma inspeção visual da área lesionada para identificar sinais evidentes de fratura, como deformidade ou inchaço.
  • Palpação: A área afetada será cuidadosamente palpada para localizar o ponto de maior sensibilidade e avaliar a extensão do dano.
  • Teste de Movimento: O médico pode pedir à criança que tente mover a parte afetada para avaliar a dor e a limitação do movimento. Em casos de fratura evidente, este teste pode ser omitido para evitar desconforto adicional.

fratura

3. Histórico da Lesão

  • Descrição do Acidente: O médico perguntará sobre como a lesão ocorreu. Detalhes como a altura de uma queda, a velocidade de um impacto ou qualquer torção brusca podem ajudar a entender a causa da fratura.
  • Sintomas Imediatos: Relatar quaisquer sons de estalo ou quebra no momento da lesão pode fornecer pistas valiosas.
  • Sintomas Pós-Lesão: Informar sobre o aparecimento de inchaço, hematomas, dor persistente ou qualquer mudança na capacidade de movimento.

4. Exames de Imagem

  • Radiografia (Raio-X): É o exame mais comum para diagnosticar fraturas. Ele fornece uma imagem clara dos ossos e pode identificar a localização e o tipo de fratura.

O raio-X usa radiação para criar imagens dos ossos. A criança será posicionada de forma que a área afetada fique visível na imagem.

A radiografia é rápida e geralmente indolor. A criança precisa ficar imóvel durante o exame para garantir imagens claras.

  • Tomografia Computadorizada (TC): Em casos mais complexos, a TC pode ser usada para obter imagens detalhadas dos ossos e tecidos circundantes.

A TC usa raios-X e um computador para criar imagens detalhadas em cortes transversais.

A criança deitará em uma mesa que se move através de um scanner em forma de anel. É importante permanecer imóvel durante o exame.

  • Ressonância Magnética (RM): A RM pode ser necessária para avaliar fraturas em ossos de difícil visualização ou para identificar danos em tecidos moles.

A RM usa campos magnéticos e ondas de rádio para criar imagens detalhadas dos ossos e tecidos.

A criança deitará em uma mesa que desliza para dentro de um tubo. O exame é indolor, mas pode ser barulhento e demorado, exigindo que a criança fique imóvel.

  • Ultrassonografia: Em alguns casos, especialmente em crianças pequenas, a ultrassonografia pode ser usada para diagnosticar fraturas.

O ultrassom usa ondas sonoras para criar imagens dos ossos e tecidos moles.

O exame é indolor e envolve a aplicação de um gel na área afetada, seguido pelo deslizamento de um transdutor sobre a pele.

Diagnosticar uma fratura em crianças envolve uma abordagem cuidadosa e sistemática, começando pela observação dos sintomas e passando pelo exame físico e exames de imagem.

Primeiros Socorros para Fraturas em Crianças

Saber como prestar os primeiros socorros adequados em caso de fratura é crucial para garantir a segurança e o conforto da criança até que o atendimento médico especializado possa ser obtido. 

Aqui estão os passos detalhados para administrar primeiros socorros em caso de fraturas em crianças:

1. Manter a Calma e Tranquilizar a Criança

  • Importância: Manter a calma ajuda a lidar com a situação de forma eficaz e tranquiliza a criança, que pode estar assustada e com dor.
  • Como Fazer: Fale com a criança em um tom calmo e tranquilizador, garantindo que ela está segura e que a ajuda está a caminho.

2. Imobilizar a Área Atingida

  • Importância: Imobilizar a área lesionada, evita o agravamento da fratura e reduz a dor.
  • Como Fazer: Use uma tala ou improvise com itens disponíveis, como um pedaço de madeira, papelão ou uma revista enrolada. Coloque a tala ao longo da área lesionada e amarre-a suavemente com bandagens, lenços ou tiras de pano. Certifique-se de que a tala imobiliza a articulação acima e abaixo da fratura.

3. Aplicar Gelo para Reduzir o Inchaço

  • Importância: O gelo ajuda a reduzir o inchaço e a dor.
  • Como Fazer: Envolva um saco de gelo ou um pacote de vegetais congelados em uma toalha e aplique-o na área lesionada por 15-20 minutos. Evite aplicar gelo diretamente na pele para prevenir queimaduras pelo frio.

4. Elevar a Área Lesionada

  • Importância: Elevar a área afetada acima do nível do coração pode ajudar a reduzir o inchaço.
  • Como Fazer: Se possível, coloque a área lesionada em uma posição elevada usando travesseiros ou outros suportes.

5. Administrar Analgésicos (se Aprovado pelo Médico)

  • Importância: Analgésicos de venda livre podem ajudar a aliviar a dor até que a criança possa receber atendimento médico.
  • Como Fazer: Administre, seguindo as dosagens recomendadas para a idade e o peso da criança. Consulte um médico antes de dar qualquer medicamento.

6. Evitar Mover a Criança Desnecessariamente

  • Importância: Movimentos desnecessários podem piorar a fratura e causar mais dor.
  • Como Fazer: Mantenha a criança confortável e imóvel até que a ajuda médica chegue. Se a fratura for em uma área como a perna ou a coluna, evite mover a criança completamente e espere por profissionais de saúde para o transporte.

7. Chamar a Ajuda Médica Imediatamente

  • Importância: Buscar atendimento médico especializado é crucial para o diagnóstico e tratamento adequado da fratura.
  • Como Fazer: Ligue para os serviços de emergência ou transporte a criança cuidadosamente ao pronto-socorro mais próximo. Informe aos profissionais de saúde todos os detalhes sobre como ocorreu a lesão e os primeiros socorros prestados.

8. Observar Sinais de Choque

  • Importância: Uma fratura pode causar choque, especialmente se for grave.
  • Sinais de Choque: Pele pálida, fria e úmida, respiração rápida e superficial, fraqueza, tontura ou confusão.
  • Como ajudar: Mantenha a criança deitada e com as pernas elevadas, se possível. Cubra-a com um cobertor para mantê-la aquecida e monitore seus sinais vitais até que a ajuda chegue.

Prestar primeiros socorros adequados em caso de fraturas em crianças envolve manter a calma, imobilizar a área lesionada, aplicar gelo, elevar a área afetada, administrar analgésicos (com aprovação médica), evitar movimentos desnecessários, chamar ajuda médica imediatamente e observar sinais de choque. 

Essas medidas podem ajudar a reduzir a dor e o risco de complicações, garantindo que a criança receba o tratamento necessário o mais rápido possível.

Tratamentos para Fraturas em Crianças e Cuidados Pós-Tratamento para Crianças com Fraturas

Tratamentos para Fraturas em Crianças

O tratamento para fraturas em crianças varia dependendo do tipo, localização e gravidade da fratura. O objetivo do tratamento é garantir que o osso cicatrize corretamente e que a função normal seja restaurada. 

1. Imobilização

  • Gesso: Um dos métodos mais comuns de tratar fraturas é a imobilização com gesso. O gesso mantém o osso na posição correta para que possa cicatrizar adequadamente.
    • Aplicação: O gesso é aplicado em volta da área afetada, imobilizando a articulação acima e abaixo da fratura.
    • Cuidado: É importante manter o gesso seco e evitar colocar pressão sobre ele.
  • Talas e Enfaixamentos: Para fraturas menos graves ou em casos onde o inchaço é significativo, uma tala ou enfaixamento pode ser usado inicialmente.
    • Uso: As talas são rígidas apenas em um lado, permitindo alguma flexibilidade para acomodar o inchaço.

2. Redução (Realinhamento) da Fratura

  • Redução Fechada: Para fraturas onde os ossos não estão alinhados corretamente, o médico pode precisar realinhar os ossos manualmente. Isso é feito sem cirurgia e normalmente requer anestesia. 

O médico manipula os ossos do lado de fora do corpo para colocá-los na posição correta.

  • Redução Aberta: Em fraturas mais complexas, pode ser necessária cirurgia para realinhar os ossos. Este procedimento é conhecido como redução aberta.

Durante a cirurgia, o médico faz uma incisão para acessar o osso fraturado e usará parafusos, placas ou pinos para fixar os ossos na posição correta.

3. Fixação Interna e Externa

  • Para fraturas graves, a fixação interna pode ser necessária. Isso envolve o uso de pinos, parafusos, placas ou hastes internas para manter os ossos no lugar enquanto cicatrizam.

Estes dispositivos são inseridos cirurgicamente e permanecem no corpo, podendo ou não ser removidos posteriormente.

  • Fixação Externa: Em alguns casos, dispositivos externos são usados para estabilizar a fratura. Isso envolve a inserção de pinos no osso que são conectados a uma estrutura externa. É comum em fraturas complicadas ou quando há lesões significativas nos tecidos moles.

4. Fisioterapia

  • Recuperação: Após a remoção do gesso ou das talas, a fisioterapia pode ser necessária para restaurar a força e a mobilidade da área afetada. O fisioterapeuta pode recomendar exercícios específicos para melhorar a flexibilidade, força e coordenação.

Cuidados Pós-Tratamento para Crianças com Fraturas

A recuperação completa de uma fratura envolve cuidados pós-tratamento adequados. Aqui estão algumas recomendações para ajudar as crianças a se recuperarem de uma fratura:

1. Manter a Imobilização Adequada

  • Seguir as Instruções Médicas: É crucial seguir todas as instruções do médico sobre como cuidar do gesso, tala ou dispositivo de fixação.
  • Evitar Movimentos: Evite qualquer movimento ou atividade que possa colocar pressão na área fraturada.

2. Monitorar Sinais de Complicações

  • Inchaço e Dor: Observe qualquer aumento significativo no inchaço, dor intensa ou desconforto que não melhora com o tempo.
  • Sinais de Infecção: Fique atento a sinais de infecção, como vermelhidão, calor, secreção ou febre.

3. Manter o Gesso Seco e Limpo

  • Proteção: Use uma capa protetora ou saco plástico durante o banho para manter o gesso seco.
  • Limpeza: Evite inserir objetos dentro do gesso para coçar ou aliviar coceiras. Isso pode causar infecções.

4. Acompanhamento Médico

  • Consultas de Seguimento: Compareça a todas as consultas de seguimento para que o médico possa monitorar a cicatrização do osso.
  • Radiografias: Radiografias de acompanhamento podem ser necessárias para garantir que a fratura está cicatrizando corretamente.

5. Atividades Físicas

  • Retorno Gradual: Reintroduza atividades físicas gradualmente, conforme recomendado pelo médico ou fisioterapeuta.
  • Evitar Impactos: Evite esportes de contato ou atividades de alto impacto até que o osso esteja totalmente cicatrizado.

6. Fisioterapia e Exercícios de Reabilitação

  • Programa de Reabilitação: Siga o programa de fisioterapia recomendado para recuperar a força e a mobilidade da área afetada.
  • Exercícios em Casa: Realize exercícios em casa conforme orientado pelo fisioterapeuta para acelerar a recuperação.

7. Dieta Adequada

  • Nutrientes Essenciais: Uma dieta rica em cálcio e vitamina D é importante para a saúde óssea. Inclua alimentos como laticínios, vegetais de folhas verdes e peixes.
  • Hidratação: Manter-se bem hidratado é importante para a saúde geral e a recuperação.

O tratamento de fraturas em crianças inclui métodos como imobilização, redução da fratura, fixação interna e externa e fisioterapia. 

Após o tratamento inicial, cuidados pós-tratamento, como manter a imobilização adequada, monitorar sinais de complicações, manter o gesso seco, seguir as consultas médicas, reintroduzir atividades físicas gradualmente, seguir um programa de fisioterapia e manter uma dieta adequada, são essenciais para garantir uma recuperação completa e bem-sucedida. 

A atenção cuidadosa e o acompanhamento médico adequado ajudarão a criança a recuperar sua saúde e mobilidade rapidamente.

Quando Procurar um Médico

Reconhecer quando é necessário procurar um médico é crucial para garantir que uma fratura seja tratada de maneira adequada e eficaz. Aqui estão os sinais e situações em que você deve buscar atendimento médico imediato para uma criança com suspeita de fratura:

1. Dor Intensa e Persistente

  • Se a criança está sentindo uma dor intensa que não melhora com o tempo ou com a aplicação de primeiros socorros, é necessário procurar ajuda médica.
  • Leve a criança ao pronto-socorro ou a um médico especialista para avaliação.

2. Deformidade Visível

  • Se a parte do corpo lesionada apresenta uma deformidade visível, como um osso fora do lugar, inchaço anormal ou uma área torcida, isso é um sinal claro de fratura.
  • Procure atendimento médico imediatamente para que o osso seja realinhado e tratado corretamente.

3. Incapacidade de Mover a Parte Afetada

  • Descrição: Se a criança não consegue mover a área afetada ou sente dor extrema ao tentar mover, pode haver uma fratura.
  • Ação: Leve a criança ao médico para uma avaliação detalhada e possíveis exames de imagem.

4. Inchaço e Hematomas Significativos

  • Inchaço e hematomas são comuns após uma lesão, mas se forem severos e acompanhados de dor intensa, podem indicar uma fratura.
  • Procure um médico para determinar a gravidade da lesão e iniciar o tratamento adequado.

5. Sensibilidade Extrema ao Toque

  • Se a área lesionada for extremamente sensível ao toque, mesmo uma leve pressão causando dor significativa, isso pode ser indicativo de uma fratura.
  • Busque avaliação médica para confirmar a presença de uma fratura e iniciar o tratamento.

6. Incapacidade de Suportar Peso

  • Se a fratura suspeita for em uma perna ou pé e a criança não puder suportar o peso na área afetada, é provável que haja uma fratura.
  • Leve a criança ao pronto-socorro para avaliação e possível imobilização.

7. Febre ou Sinais de Infecção

  • Se após a lesão a criança desenvolver febre, vermelhidão, calor ou secreção na área afetada, isso pode indicar uma infecção.
  • Procure atendimento médico imediatamente, pois infecções em fraturas podem ser graves e requerem tratamento imediato.

8. Sons de Estalo no Momento da Lesão

  • Se a criança ouvir ou sentir um estalo ou quebra no momento da lesão, isso é um forte indicativo de fratura.
  • Leve a criança ao médico para uma radiografia e avaliação completa.

9. Histórico de Lesões Repetitivas

  • Crianças que apresentam lesões repetitivas na mesma área podem estar em risco de fraturas por estresse ou outras complicações.
  • Consulte um médico para uma avaliação detalhada e plano de tratamento para evitar lesões futuras.

10. Mudanças de Cor na Pele

  • Se a área ao redor da lesão ficar azulada, roxa ou muito pálida, pode haver danos significativos aos vasos sanguíneos, além da fratura.
  • Procure atendimento médico imediatamente para avaliar e tratar possíveis danos aos tecidos.

Procurar atendimento médico é essencial quando se suspeita de uma fratura em crianças, especialmente em casos de dor intensa e persistente, deformidade visível, incapacidade de mover ou suportar peso, inchaço e hematomas significativos, sensibilidade extrema ao toque, febre ou sinais de infecção, sons de estalo no momento da lesão, histórico de lesões repetitivas e mudanças de cor na pele. 

A avaliação médica imediata garante o diagnóstico correto e o tratamento adequado, prevenindo complicações e promovendo uma recuperação completa.

Impacto das Fraturas no Crescimento das Crianças

As fraturas podem ter um impacto significativo no crescimento e desenvolvimento das crianças, especialmente quando envolvem áreas críticas, como as placas de crescimento. 

É importante compreender esses impactos para garantir um tratamento adequado e prevenir possíveis complicações a longo prazo. Principais aspectos sobre o impacto das fraturas no crescimento das crianças:

1. Placas de Crescimento

  • As placas de crescimento (fises) são áreas de tecido cartilaginoso localizadas nas extremidades dos ossos longos. Elas são responsáveis pelo crescimento ósseo em crianças e adolescentes.
  • As placas de crescimento são mais vulneráveis a fraturas devido à sua composição mais suave em comparação com o osso adulto. Fraturas que envolvem essas áreas podem interferir no crescimento ósseo.

2. Tipos de Fraturas nas Placas de Crescimento

  • Fraturas de Salter-Harris: Estas fraturas são classificadas em cinco tipos, dependendo de como afetam a placa de crescimento. Os tipos variam de fraturas que apenas atravessam a placa de crescimento (Tipo I) a fraturas mais complexas que envolvem a epífise e a metáfise (Tipos IV e V).
  • Impacto no Crescimento: Fraturas mais complexas (Tipos III, IV e V) têm maior risco de causar problemas de crescimento, como crescimento desigual ou deformidades.

3. Complicações Potenciais

  • Crescimento Desigual: Uma fratura que danifica uma placa de crescimento pode levar a um crescimento desigual dos ossos, resultando em discrepâncias no comprimento dos membros.
  • Deformidades: Fraturas que cicatrizam inadequadamente podem causar deformidades ósseas, que podem exigir correção cirúrgica.
  • Artrite: Fraturas que envolvem articulações podem aumentar o risco de desenvolvimento precoce de artrite na área afetada.

4. Diagnóstico e Monitoramento

  • Diagnóstico Precoce: Radiografias e outros exames de imagem são essenciais para diagnosticar fraturas e avaliar o impacto nas placas de crescimento. Em alguns casos, a ressonância magnética (RM) pode ser necessária para avaliar danos aos tecidos moles.
  • Monitoramento Contínuo: Crianças com fraturas nas placas de crescimento devem ser monitoradas regularmente para garantir que o osso está cicatrizando corretamente e que não há interrupções no crescimento.

5. Tratamento Adequado

  • Imobilização: O tratamento inicial geralmente envolve a imobilização da área afetada com gesso ou tala para permitir a cicatrização adequada.
  • Intervenção Cirúrgica: Em casos de fraturas graves ou desalinhadas, pode ser necessária a intervenção cirúrgica para realinhar os ossos e fixá-los com pinos, parafusos ou placas.
  • Fisioterapia: Após a remoção do gesso, a fisioterapia pode ser necessária para restaurar a força e a mobilidade da área afetada.

6. Prevenção de Complicações

  • Cuidados Pós-Tratamento: Seguir as orientações médicas e participar de todas as consultas de acompanhamento é crucial para garantir que a fratura esteja cicatrizando corretamente e para prevenir complicações a longo prazo.
  • Exercícios e Reabilitação: A reabilitação adequada, incluindo exercícios de fortalecimento e alongamento, é essencial para restaurar a função normal e prevenir problemas futuros.

7. Impacto Psicológico

  • Apoio Emocional: Fraturas podem ser assustadoras e dolorosas para as crianças. Oferecer apoio emocional e garantir que a criança entenda o processo de recuperação é importante para seu bem-estar.
  • Atividades Adaptadas: Enquanto a criança está se recuperando, é importante adaptar as atividades para garantir que ela continue se sentindo incluída e ativa, sem colocar em risco a área afetada.

As fraturas em crianças podem ter um impacto significativo no crescimento, especialmente quando envolvem as placas de crescimento. 

É essencial diagnosticar e tratar adequadamente essas fraturas para prevenir complicações como crescimento desigual, deformidades ósseas e artrite. 

Monitoramento contínuo, tratamento adequado e cuidados pós-tratamento são fundamentais para garantir uma recuperação completa e saudável. 

Além disso, oferecer apoio emocional à criança durante o processo de recuperação é crucial para seu bem-estar geral. 

Com atenção cuidadosa e acompanhamento médico, a maioria das fraturas em crianças pode cicatrizar adequadamente sem impactar negativamente o crescimento a longo prazo.

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